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STF pautará julgamento histórico sobre Pejotização: o que está em jogo para trabalhadores e empresas

A chamada pejotização nas relações de trabalho está prestes a ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um julgamento com repercussão geral e potencial de transformar a dinâmica entre empresas e trabalhadores em todo o país.

A audiência pública está marcada para o dia 10 de setembro de 2025 e colocará em debate a legalidade da contratação de pessoas físicas por meio de CNPJ — prática comum em diversos setores da economia. O principal ponto da discussão é: essa modalidade contratual representa o exercício legítimo da autonomia da vontade, ou configura uma fraude trabalhista disfarçada?

O que está em jogo?

Atualmente, empresas utilizam a pejotização como forma de flexibilizar custos e obrigações trabalhistas. Porém, em muitos casos, a relação contratual reúne elementos típicos da CLT, como subordinação, habitualidade, pessoalidade e onerosidade — ou seja, características de vínculo empregatício.

Se o STF entender que essa prática é fraudulenta, as consequências poderão incluir:

  • Reconhecimento automático do vínculo de emprego;
  • Recolhimento retroativo de INSS, FGTS, férias, 13º salário e verbas rescisórias;
  • Responsabilização civil por simulação contratual e violação à ordem jurídica trabalhista.

Por outro lado, caso a Corte valide a pejotização como uma escolha legítima, poderá haver:

  • Ampliação da terceirização e da pejotização, mesmo em relações com traços típicos da CLT;
  • Fragilização da proteção ao trabalhador, especialmente em setores com alta rotatividade e baixo poder de barganha;
  • Um novo marco interpretativo para as contratações via CNPJ no Brasil.

Liberdade contratual x dignidade do trabalhador

A decisão do STF impactará diretamente o Direito do Trabalho, o sistema previdenciário e o modelo de proteção social vigente no Brasil. O debate vai além da simples escolha entre CLT ou CNPJ: trata-se de definir quem assume os riscos da atividade econômica.

O que esperar?

Enquanto isso, todas as ações judiciais sobre o tema estão suspensas desde abril de 2025, aguardando a definição da tese. Empresas seguem atuando com segurança jurídica provisória, e trabalhadores permanecem em situação de incerteza.

Setembro se aproxima, e com ele, a expectativa por uma decisão que poderá redefinir os limites da autonomia privada e a proteção dos direitos fundamentais dos trabalhadores.

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